SETOR QUESTIONA A IMPORTÂNCIA DOS PROGRAMAS DE CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE

Estimular a concorrência entre os bancos públicos e privados, diminuir a burocracia na concessão de crédito imobiliário e cuidar da qualificação profissional, da qualidade e tecnologia dos empreendimentos foram temas de painel da CII/CBIC, no Enic
O acesso dos bancos privados aos recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para o financiamento imobiliário foi um dos princípios defendidos por Natalino Gazonato, da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), como forma de garantir funding para o crédito imobiliário. Outra medida a ser adotada com rapidez, de acordo com ele, é a adoção do principio de concentração dos registros na matrícula do imóvel. “Esse instrumento é positivo e um facilitador na concessão do financiamento. Pode-se reduzir a liberação do crédito para uma semana”, garantiu.

Gazonato também considera fundamental para a garantia dos agentes financeiros, das empresas e dos compradores a adoção do patrimônio de afetação. “Há resistências nas duas pontas (bancos e empresas), mas tem os de encontrar o gargalo e soluciona-lo.” Outra medida importância para o diretor da Abecip é o fortalecimento do instituto da alienação fiduciária. “No Brasil, desmoralizamos a hipoteca. Não podemos fazer o mesmo agora com essa ferramenta que fortalece a adimplência“, defendeu. Para ele, novos mecanismos de captação de recursos devem ser almejados pelos empresários, pois considera que somente os recursos da poupança e do FGTS não serão suficientes para manter o financiamento imobiliário no País. Outra medida para garantir a saúde do crédito é manter a estabilidade econômica do País.

Anticíclico ,– O programa Minha Casa, Minha Vida foi lançado com dois objetivos: o social, para sanar 14% do déficit habitacional; e o econômico ou anticíclico, para gerar empregos e renda. De acordo com Ana Maria Castelo, consultora da FGV Projetos, o setor da construção civil foi eleito pelo governo por ser uma atividade de alto impacto na geração de empregos. De acordo com suas análises, o setor atravessou cinco anos de crescimento extraordinário. De 2004 a 2008, foram 2,2 milhões de trabalhadores contratados formalmente.

Após a crise financeira internacional no final de 2008, as empresas construtoras enfrentaram certo desânimo, comprovado pelo cancelamento de empreendimentos por algumas construtoras. O lançamento do Minha Casa, Minha Vida abriu novas perspectivas para o setor, já refletido nos índices de emprego. Em julho deste ano, a taxa de crescimento do emprego na construção civil foi positiva e fez com que os índices superassem o registrado antes da crise. “O programa trouxe um ciclo virtuoso, que talvez traga resultados positivos já em 2009”, ressaltou Ana Maria. Entretanto, ainda há necessidade de capacitar a mão de obra para o mercado. Também, dada a perspectiva de crescimento, buscar novas fontes de recursos, que assegurem o crescimento nas áreas de tecnologia e materiais. “As possibilidades são favoráveis, mas também há grandes desafios. O maior deles é o de manter as taxas de crescimento observadas após a aceleração de 2007 e 2008.”

Para Melvin Fox, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), o cenário futuro também é promissor para o segmento que representa. De acordo com projeções da entidade, a construção de um milhão de moradias vai gerar o faturamento de R$ 19 bilhões para a indústria de materiais de construção.

Porém, o aumento de escala de produção requer qualidade dos empreendimentos, que devem apresentar desempenho e baixa necessidade de manutenção durante sua vida útil, qualificação da mão de obra. “Ainda falta profissionalização e valorização para esses trabalhadores”, opinou.

Qualidade sustentável – O engenheiro e vice-presidente eleito do Secovi-SP na área de Tecnologia, Carlos Borges, disse que é necessário diferenciar qualidade de tecnologia. Para a primeira, o motivo mais nobre é o usuário dos imóveis. Já a tecnologia traz benefícios reais para a Nação. “Do ponto de vista econômico, a qualidade também é importante, pois o menor custo de construção gera mais custos de manutenção”, explicou. Em termos de sustentabilidade, Borges afirmou que as prováveis metas para os próximos cinco anos será diminuir a emissão de Carbono em 5%.

Para melhorar a qualidade dos imóveis e ampliar a tecnologia construtiva, Borges sugere três frentes de trabalho: uma com o governo, outra com o setor organizado, e a terceira com os agentes individuais (construtores e incorporadores).

Ele defende a criação de ambiente regulatório favorável para investimentos em pesquisas na construção civil. Isso trará, de acordo com ele, segurança maior aos usuários de imóveis. “O investimento nesse segmento é ridículo”, afirmou.

Outra medida refere-se à auto-regulamentação. “Quando o setor não se organiza para fazer normas técnicas, surgem as leis para impactar. Tecnologia é fator crítico para o sucesso do negócio. Sem domínio tecnológico, não há domínio do negócio, principalmente para quem atua com imóveis populares”, ressaltou Borges. Com o Minha Casa, Minha Vida a perspectiva de longo prazo torna viável pensar em tecnologia a longo prazo, de